quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Perdão, meu bem,
se  te magoei

É que não danço ao som
da música de outros

Minha canção
(melodia e letra)
quem compõe
sou eu.








quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Aula particular

José são duas colheres de açúcar
nas minhas semanas com suas bochechas
múltiplas e seus olhinhos imensos
de bola de gude sempre investigativos.

No começo era calado
tão disciplinado
nem parecia criança.
Agora José fala pelos cotovelos,
joelhos ,tornozelos, o corpo inteiro.

Juntos fazemos deveres
 e lemos gibis e  poemas.
Entre o dever e a leitura:
suspiros bocejos pensamentos
a preguiça das tarefas da escola
o cansaço do dia de trabalho,
histórias alegrias tristezas.

Em tudo reparamos.
Em tudo nos compartilhamos.

E seus pais nem imaginam que o acontece
quando nos deixam sozinhos
é muito mais que ensinar e aprender

língua portuguesa.

sábado, 5 de outubro de 2013

                                                                                                             

Porque é meu amor
unta -me  com sua saliva
e com as mãos cria em  meu corpo
formas e sentidos novos

Porque é meu amor
sob suas mãos
meu corpo 
é onda gigante
emergindo ilharga
afundando em seu desejo.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vivia e brilhava no céu
E do céu olhava a terra
sonhando como era ser flor

do desejo fez-se queda
e abriu-se em primavera inteira
a beija flores e borboletas

mas à primeira brisa, estremeceu
ao primeiro vento balançou
e quando soprou mais forte
desfez-se flor

perdida de amor pela ventania

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Meu querer avança faminto
na vida
em direções opostas

esgarça-me corpo, mente espírito
bolso  e a paciência dos outros

Até que.

Quero de tudo, tudo
e escolher sempre é morrer

Mas não escolher é não ser. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os dias passam um atrás do outro
sem se desviarem nem para a esquerda,
 nem para direita.

mas as pernas do meu relógio
vão mais rápido
só pra pararem no momento
exato de você.

em Botafogo um pensamento
 me atropela
Não sei onde ando com o coração.





sábado, 14 de setembro de 2013

O sol de setembro ultrapassa
a cortina e invade meu quarto

A luz revela a poeira acumulada
sobre os móveis
e algumas lembranças
e medos
escondidos entre os livros
na estante

O escuro guarda segredos
e camufla enganos

Abro as cortinas e a janela
deixo a luz entrar definitivamente
é hora de limpar o quarto

Jogo fora tudo o que não interessa

sexta-feira, 13 de setembro de 2013


 Coincidências me fazem crer estar no caminho certo:
A vida é possível e se constrói em qualquer lugar do mundo

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Escalo silêncios
Sem nunca chegar o fim

Procuro em vão palavras aonde me segurar
Aonde apoiar os pés

Escalo silêncios
Sem nunca obter respostas

Escalo
Calas
Escalo
Calas
Escalo
Calas.

Calo. 


domingo, 4 de agosto de 2013

* Uma reescritura


Tua boca é a nascente de um rio
Que me navega na solidão de horas mudas
Que me cerca em marés de silêncios
E me prende em correntes de angústias.

Tuas histórias nada contam de ti
Tuas perguntas nada querem saber
Tuas respostas devolvem-me enigmas
Indecifráveis.


Aprisionada, sigo o fluxo de tuas águas
Agarrando as palavras que me dás
Construindo pontes que levarão a lugar nenhum.

És um cavaleiro sem rosto
Vagando nas noites escuras do meu coração.  

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Há uma agitação escandalosa lá fora
Uma agitação obscena
Uma agitação de corpos, de vozes
De porcos quando capturados pro abate.
Desespero, agonia.
A terra bebe o sangue derramado
De Abel.
A noite canta e gargalha alto, bêbada.
A noite canta com os cães
Na língua impossível da noite.


domingo, 28 de julho de 2013

Um telefone toca na minha vizinhança
Mas não há quem atenda.

Um telefone toca, toca, toca
Dentro de mim
Mas não há quem.

É que meu coração
Se partiu em tantos mil pedaços sem dizer adeus.
Sem GPS
Sem bússola
Sem mapa
Numa noite enorme, sem estrelas.

Partiu e me perdeu
Partiu e esqueceu
E já não sabe mais
como voltar pra casa.

Sigo.

Sem coração. 

sábado, 27 de julho de 2013

Tua boca é a nascente de um rio
Que me navega na solidão de horas mudas
Que me cerca em marés de silêncios
E me prende em correntes de angústias

Aprisionada, sigo fluxo de tuas águas
Elas me lançarão livre ao mar.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

sábado, 20 de julho de 2013

Poema para Rebecca

Eu pensava impossível
Àquela altura da vida
Encontrar uma amiga,
assim sinceramente, de verdade.
Você chegou e me provou o contrário

Me surpreendendo totalmente
Nos tornamos confidentes.

Você mudou de faculdade
E não acreditei que essa amizade,
Via e-mails vingaria

Mas vingou
Trocamos ideias, presentes, segredos
E até nos vemos com certa frequência.

Muito obrigada por dividir comigo
Parte do seu coração
Por  ser toda olhos e ouvidos
às minhas palavras

Quando sonho, lamento ou canção. 

Ele tinha os olhos mais cheios de amor do mundo

Ele me sorria
E seus olhos eram todo  o amor do mundo
Eu amanhecia e sonhava com o futuro
Eu lhe  dava todos os dias o meu coração
Os seus olhos eram todo amor do mundo

Eu fazia planos
Eu tecia em fios de ternura
Filhos e estradas por onde seguirmos
Flores e frutos para o caminho
Eu lhe dava todos os dias o meu coração

Mas sua boca, muda trancada,
Jamais revelava o que no seu interior designava
Os seus olhos eram todo o amor do mundo
Mas eu indagava:
O que vai no seu coração?

Até que partiu sem  dar explicações
Ou tudo não passara de ilusões?
Ele tinha o olhar mais cheio de amor do mundo                
Mas eu, triste, constatava

Nunca tivera seu coração. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ele me sorria
e seu olhar era todo o amor do mundo.
Eu não sabia
que nos seus olhos refletidos
via os meus.

Transbordamento

A hipocrisia
é um líquido
que não cabe
em nenhum
recipiente

quinta-feira, 11 de julho de 2013

do meu corpo saltam pássaros
meu  desejo luz que se refrata
e voam solitários
dolorosamente
direções diversas
opostas paralelas
coincidentes quem sabe
e voam para longe longe longe
e quanto mais distantes, mais crescem

terça-feira, 2 de julho de 2013

.

é sábado à tarde
chove e o tempo  não existe
insustentável  é a leveza do ser
com seu grito imenso
vida afora
morte adentro

sexta-feira, 28 de junho de 2013

no passado fui uma mulher feita de palavras [agora não mais] escrevo para encontrar as palavras que perdi: novas palavras outras para dizer tudo o que já foi dito dizendo só o que nunca foi dito palavras que amanhecem que dançam que giram que calam que abismam.